Vindima

“Na Vindima de cada sonho, fica a cepa a sonhar a outra aventura e a doçura que não se prova, transforma-se numa outra muito mais doce e pura.” Miguel Torga

Depois de um ano de trabalho e de confrontos com a natureza, eis que ela volta. 

Mostrando-nos a sua fertilidade, ansiamos um novo sonho de colheita.

É à volta do anterior néctar que reunimos e projectamos o que vamos fazer com o seu fruto. 

Soam-se novos projetos, novos rótulos, novas cores, novos aromas e entre bate boca de gostos e sabores, uma equipa adivinha um novo trabalho. 

A vindima foi feita! 

08h00 e a neblina da manhã, arrefece os corpos. Corpos que aquecem com o dia e o trabalho. 

Paramos ansiosamente para a bucha… encontramos os petiscos que são só desta época, só se saboreiam neste dia, na vinha, no reboque do trator. Que sabor!

Avançamos para a colheita, cantando, brincado e cuidando o fruto. Um fruto que dará vida.

O trabalho estava organizado e a equipa motivada. 

O fruto chega à adega, é tratado, pisado e orado. Os aromas espalham-se e enchem-nos de esperança.  

As cozinheiras ajeitam a sopa carregada com a carne salgada.

 Os vinhos que estão na mesa, são usados para saudar o trabalho. Cada brinde felicita a equipa, o enólogo, o adegueiro, a cozinheira e os amigos que estão sempre lá. 

Olhámos e tínhamo-los lá…os mesmos de sempre. Aquele ultimo copo de branco aquece o nosso coração, naquele ultimo brinde. 

Começam as despedidas… um a um… e em cada abraço reconhecemos os alicerces do nosso trabalho.

O fruto ficou lá…na alma da casa, a adega. 

Agora somos nós a cepa do fruto que queremos ver crescer. Somos a raiz necessária pra lhe dar asas.

Ele vai ganhar asas e mostrar-nos que os horizontes sem fim, levam os nossos sonhos a lugares distantes. 

São estas asas que nos vão permitir conhecer novas raizes, semelhantes até, novos lugares e novos projetos.

Deixámos lá o nosso fruto…esperando que cresça o néctar.