E se os insectos fossem uma alternativa?

A ONU estima que, dos 7,1 bilhões atuais, até 2050 a população mundial passará a 9,7 bilhões. Algo que preocupa quando se pensa em todas as bocas a alimentar – ainda mais tendo em vista como a agricultura industrial afeta o planeta com erosão, emissões de CO2, poluentes químicos e perda de biodiversidade.

No entanto, existem maneiras de fornecer alimentos para uma população de até 10 bilhões de pessoas e, ao mesmo tempo, manter as florestas que restam intactas. Para isso é necessário encontrar um equilíbrio entre o tipo de métodos agrícolas utilizados, a preservação do meio ambiente e a alimentação diária.

Temos de parar de crer que podemos comer o que está à nossa disposição, como se o futuro da humanidade não dependesse de cada um de nós. 

Mas como podemos melhorar a produção, a distribuição e a nutrição dos alimentos ao mesmo tempo em que nos preparamos para uma população mundial superior a 9 bilhões? 

Um bom começo seria a carne. Estudos apontam que a quantidade de carne consumida é um fator importante. Até o ano de 2050, espera-se que o consumo mundial de carne chegue a 76%. Entretanto, o metano produzido pelas vacas é 25 vezes mais eficaz como agente do aquecimento global do que o CO2.

Se a humanidade abrisse mão de produtos animais, necessitaria de menos espaço de cultivo, mesmo que a população mundial aumentasse significativamente e diminuiríamos de forma drástica as emissões de CO2. 

E se os insectos fossem uma alternativa? 

Eles produzem menos emissões de gases do efeito estufa, eles ocupam uma quantidade muito menor de terra e consomem menos água do que o gado.

Em 2013, a Organização da Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) realizou um estudo de grande escala sobre insetos comestíveis e as perspectivas de usá-los como uma fonte de alimentação alternativa. Os insetos já fazem parte da dieta tradicional de 2 bilhões de pessoas e 1.900 espécies são usadas como alimento, sendo uma fonte alimentar altamente nutritiva de gorduras saudáveis.

“Há muitos anos que os humanos comem insetos. No mundo ocidental deixámos de comer em certa altura da história e o que está em jogo neste momento é voltarmos a comer”, disse à Lusa José Gonçalves, fundador da Nutrix, empresa de Leiria que produz framboesas biológicas e que tem em fase experimental a produção de larvas de grilo para alimentação humana.

Um grande passo para Portugal, um pequeno passo para a humanidade!

Sabia que, por exemplo, que bem mais rápido que que imaginamos, o trigo vai escassear? Acha mesmo que as farinhas alternativas apresentadas agora, tais como farinha de alfarroba, farinha de grão de bico, farinha de quinoa, entre outras, são só uma questão de modas?

E se a engenharia alimentar estiver a “manipular” a entradas de novos produtos de forma a dispor de alternativas?

E se a farinha de insectos fosse uma alternativa? Consumiria? 

”Para ajudar o planeta é preciso assumir responsabilidades, mudar hábitos, transformar o cotidiano…” Natália Alves